Translate

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ANDREY ZOTOV, UM RUSSO NASCIDO NA CHINA.

Andrey Zotov, era um grande amigo de meu pai. Mas grande mesmo, era daqueles amigos prá toda hora, boas ou não.
Mas o legal era que eles sempre faziam suas horas serem boas.

Não lembro direito o ano de nascimento do André, que era como o chamávamos. Mas acredito que ele tinha a mesma idade um era um pouquinho mais novo que meu pai.
Se não me engano, eles se conheceram quando trabalhavam na Willys antes de ela ser comprada pela Ford.

Me lembro do André em nossas vidas desde que eu e minha irmã éramos muito pequenas. Em viagens, em passeios, em casa, na casa dele.
Ele não era casado, foi um solteirão convicto e invicto. Por pura opção, porque ele era um namorador. Adorava as mulheres e sabia cortejá-las. Nunca foi galinha, mas nunca ficou muito tempo com uma namorada. E o mais legal, mesmo depois que terminava o namoro, continuava com amizade com elas e normalmente ia ao casamento delas e mantinha amizade com a nova família.
Eu sei porque conheci muitas de suas ex namoradas, e mais um detalhe, eram todas lindas.
Nunca conheci uma namorada do André que fosse feia. Nunca mesmo.

A família e ele eram Russos. Ele nasceu na China porque a família estava fugindo da Rússia e normalmente era o caminho que faziam. E assim, ele nasceu na China e viveu lá por alguns anos.

No Brasil ele morava com a Tia, os pais haviam falecido ha muito tempo.
Falava fluentemente oito idiomas, e estava sempre aprendendo mais coisas.

Foi ele também quem aguçou meus sentidos "esotéricos".
Ele praticava telepatia comigo, quando eu nem mesmo sabia o que era isso.
Normalmente eu sabia quando ele ia ligar ou quando ia chegar em casa. Lembro uma vez que eu estava colocando a mesa para um almoço de domingo e do nada, coloquei mais um lugar à mesa. Minha avó foi supervisionar e viu que tinha um lugar a mais e eu disse: o André vai almoçar conosco. E ela muito surpresa disse, mas nem escutei o telefone tocar. E eu confirmei que não havia tocado, que eu só sabia que ele viria. E claro que ninguém acreditou em mim, mas ficaram boquiabertos quando ele chegou em casa e ainda se divertindo me pergunto: "recebeu meu aviso"?
Desse dia em diante passamos a conversar mais a respeito e "treinar" um pouco mais a telepatia.

Aliás, conversávamos sobre muitas coisas. Eu era curiosa e ele gostava de ensinar. Já contei que foi ele quem me falou pela primeira vez sobre o IChing. E começou a me ensinar e passar seus preceitos.
Foi ele também quem me presenteou com o Livro A Terceira Visão de Lobson Rampa.

Outra paixão do André era a culinária. Ele cozinhava muitíssimo bem e tinha assimilado muitas culturas, mas o que ele gostava mesmo de preparar eram pratos da culinária chinesa.

Esqueci de dizer que ele era engenheiro eletrônico. Um senhor de um engenheiro. Super conceituado na época. Então, como todo engenheiro que conheço, ele também tinha o raciocínio lógico. Portanto, suas receitas eram escritas com tempos de cozimento de cada item e ele os seguia a regra.

Esta receita de Carne Rápida com Cebolinha, que postei hoje no Blog Culinária Miriam Keller foi uma das tantas que ele me ensinou, e foi bem assim, só que tudo escrito em inglês (todos seus cadernos de receitas eram em inglês):

Picar carne em tirinhas de 0,5 x 2 a 2,5 cm.
Temperar e aguardar 15 minutos.
Óleo, aquecer 1 minuto;
Colocar Gengibre e alho picadinhos e fritar por 2 minutos;
Colocar carne e fritar por 5 minutos;
Mexer;
Desligar fogo e colocar a cebolinha, descansar 3 minutos.
Ligar fogo, juntar amido de milho diluído e cozinhar rapidamente.
Desligar e juntar o shoyu.

E assim ele anotava todas as suas receitas, como se fossem planilhas.

Outra paixão dele eram as pimentas. Ele tinha uma mesa cheinha delas.

Meu pai e o André adoravam musica. As grandes orquestras como a de Ray Corniff, Nat King Cole e tantos outros maravilhosos da época deles.
O André também tocava piano muito bem. Era normal as festas na casa dele sempre terem cantorias com ele ao piano.
E uma das coisas que ele adorava fazer era ir tocando e contanto a história da música, como as músicas Russas. E depois que ele tocava a primeira vez, mais lentamente, mas no ritmo normal, e contava a história da música, ele começava a brincar tocando a mesma música em outros ritmos.
Era simplesmente fantástico.

Depois que meu pai morreu, o André ficou muito baqueado. Foi como se ele tivesse perdido seu único e verdadeiro irmão (que acho que de fato eles foram).
A vida perdeu muito da graça para ele, que acabou se confinando em casa quase como um hermitão.

Meus filhos e eu o visitávamos quando podíamos, mas não com a frequência que gostaríamos.
E um dia, quando fui visitá-lo, soube que ele tinha partido.

Mas a lembrança dele sempre vai ficar forte em mim.

Minha intenção aqui não é contar nada de triste e sim falar de uma pessoa que foi muito importante em nossas vidas.

Engraçado que ele era apaixonado por fotografia, tinha muitas, mas muitas mesmo... e eu não tenho nenhuma foto dele.  Ele gostava de tirar fotos mas não gostava de aparecer nas fotos.
Vou ver quem da família tem e depois posto aqui.
Dizem que quem tem boca vai à Roma, então quem sabe se  alguém que estiver lendo este Post tem foto dele!  Pode mandar para mim.


Beijos.









quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ARTEIRA

Tem dias que a gente resolve fazer uma série de coisas que vinha querendo fazer, mas, como sempre, com tantas outras coisas a serem feitas, essas coisinhas ficavam para trás.

Ai, um belo dia você acorda, e pensa: que se dane as coisas importantes, vou fazer estas que venho adiando.

E foi o que acabei fazendo estes dias, arte, muita arte hehehehe...
Comecei restaurando um banquinho pelo qual sempre fui apaixonada desde que tomei posse dele!
É tomei posse. Quando começamos um empreendimento numa área, nela havia uma casa de caseiro que seria aproveitada no projeto. Enquanto as obras não começavam, fizemos desta casa nosso escritório.
Estes banquinhos (sim são dois, um que já restaurei e outro que ainda vou restaurar) estavam lá, largados. Eram do antigo proprietário que com certeza deve ter dado a seu caseiro que por sua vez usou e quando se mudou deixou por lá dando pouco ou quase nenhum valor aos banquinhos.
Eu me apaixonei por eles. Bem retrô e ainda por cima estavam perfeitinhos. Claro, mal cuidados e precisando de manutenção.
Dai, tomei posse, limpei, lavei e eles viraram um curinga. Mas sempre tive vontade de restaurá-los.
Esta semana tomei coragem e restaurei o primeiro.
Como o acento estava impecável, não mexi nele. Apenas o revesti.
Então antes de mais nada, pensei na cor que queria usar e depois fui escolher o tecido que usaria no banquinho.
Primeiro passo, soltar os parafusos e retirar o acento do banco.
Depois lixei os pés, e deu um trabalhinho.
Escolhi pintar com esmalte verde, porque na minha cozinha tenho detalhes em verde e como ele vira e mexe vira coringa na cozinha.... bom.... depois da primeira demão precisei lixar novamente com lixa mais fina... outra demão de tinta verde.... esperei secar e no dia seguinte outra lixadinha de leve e mais uma demão. Usei rolinho de espuma para pintar pois com spray a tinta escorre. (Sei porque tentei).


Perninhas prontas foi a vez do acento.
Retirei restos de tecido velho que estavam na parte de baixo. Pintei a madeira também.
Escolhi um tecido com folhas verdes e próprio para tapeçaria. Um tecido comum não aguenta.
Estiquei bem a peça, e fui prendendo com percevejos (aqueles que a gente compra em papelaria e tem cabecinha grande)
e com a ajuda de um martelo fui prendendo o tecido bem esticadinho.
Passei cola branca na beiradinha só para me certificar que o tecido não vai desfiar.
Tudo pronto foi a vez de recolocar o acento e parafusar (claro que primeiro esqueci de marcar os lugares onde iriam os parafusos, tive que retirar o acabamento, marcar os furos e recolocar o acabamento do banco), e voilá..... meu banquinho restaurado e com cara nova.
E eu feliz da vida e me preparando para restaurar o segundo que é de um modelo diferente deste.